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Os problemas sociais e ambientais discutidos no presente e serão refletidos no futuro passam a compor as discussões de diversos segmentos, entre eles o setor da Música Eletrônica. Fundada no segundo semestre de 2013, na Espanha, a World Eletronic Music Day (WEMDay), presidida por José Lindo Solis, é uma entidade sem fins lucrativos que visa despertar a atenção dos envolvidos na cena eletrônica para a contribuição de melhorias do futuro do planeta.

 

Em entrevista ao site Comfort Club, o economista Quico Gil, atualmente coordenador para a América Latina e Alemanha da WEMDay, trabalhando como voluntário destaca a importância de penetração desta vertente musical, que marca presença em muitos países do mundo. “Apostamos que o poder de divulgação e penetração da música eletrônica é excepcional, e este fator deve ser aproveitado pra direcioná-la para as questões sociais e ambientais”, pontua o jovem que aposta na solidariedade dos brasileiros nesta importante causa.

 

Com apoio das Organizações das Nações Unidas (ONU), o selo internacional chega ao Brasil onde prevê, futuramente, ações conjuntas com órgãos e empresas a arrecadação de recursos para assistir a projetos sociais e ambientais. “Com relação à questão social e projetos da WEMDay, o Brasil tem muitos espaços naturais de incrível biodiversidade para serem protegidos, e infelizmente grandes desigualdades sociais, onde nosso projeto pode ter um papel importante”, sintetiza.

 

Neste momento a principal ação da ONG, segundo pontua Quicó é o trabalho de divulgação do selo, que incidirá na elevação do número de membros da comunidade criada na fanpage da WEMDay, atualmente com 300 mil pessoas. Posteriormente a idéia é a criação de eventos e, quiçá, um grande festival a ser realizado no dia 21 de abril, dia da Música Eletrônica. Abaixo acompanhe a entrevista de Quicó Gil e para saber mais e acompanhar as novidades da ONG acesse: https://www.facebook.com/WorldElectronicMusicDay

 

Foto quico gilQuicó Gil coordenador América Latina e Alemanha

 

Como surgiu a idéia para formatar a ONG WEMDay?

Por diversas vezes, enquanto estávamos na balada, nos passava pela cabeça que a grande maioria da população do planeta não detinha de condições para se alimentar e, nós, tínhamos a sorte de poder até gastar dinheiro freqüentando lindas festas. Nossa consciência foi pouco a pouco dizendo, que dada à situação do planeta, era necessário refletir estes problemas e ajudar até quando estivéssemos badalando. Pensamos então, que, se cada vez que alguém fosse para balada, como ato de consciência e agradecimento, tivesse a nobreza de colocar uma moeda de um real em um pote ou cofrinho, e quase conseguiríamos acabar com a fome no mundo. Provavelmente seria uma utopia, mas somos daqueles que cremos na utopia, pois a realidade nos parece impossível motivo pelo qual nos convencemos de que se conseguíssemos, em maior ou menor medida, implantar esta ação, já faríamos muito. Apostamos que o poder de divulgação e penetração da música eletrônica é excepcional, e este fator deve ser aproveitado pra direcioná-la para as questões sociais e ambientais. A proposta em somar forças entre milhões e milhões de pessoas, artistas e instituições deste grande cenário é algo muito poderoso.

 

Mas qual é a ideologia da ONG?

Nossa proposta é dar uma nova dimensão ao setor da música eletrônica e acreditamos no poder da soma das forças desta área. E vamos trabalhar para esse propósito. Queremos que este movimento artístico seja mais solidário, mais responsável e mais consciente.

 

Comente sobre o convênio de parceria firmado com as Organizações das Nações e as ações que serão desenvolvidas em conjunto

O convênio firmado por 2050-Millenium Ecosystems, matriz a qual WEMDay pertence, construiu num espaço de cooperação com as Organizações das  Nações Unidas (ONU), um dos nossos principais objetivos, para poder desenvolver nossos ideais, ou seja, fazer o setor em seu conjunto participar nos programas desenvolvimento e sustentabilidade desta instituição.

 

Fale sobre a cena eletrônica mundial, os principais centros desta vertente musical.

A eletrônica se transformou em um fenômeno importante da cena musical a partir dos anos 1980. Hoje está presente na maioria dos países do globo e as pessoas de diferentes classes sociais, raça ou sexo curtem juntos nestas baladas com o som eletrônico. É importante pensar nestes fatores, neste poder de divulgação e de penetração para impulsionar uma mensagem de solidariedade com os necessitados e de responsabilidade com a natureza. Existem muitos lugares de relevância especial para o gênero, mas posso destacar as cidades de Berlín, Ibiza, São Paulo, Florianópolis e Las Vegas, que talvez possam estar entre os mais importantes.

 

E o mercado de DJ’s, como está neste momento? Quais os principais nomes desta cena

A cena esta provavelmente um pouco saturada em alguns aspetos, também em relação ao mercado de DJs.  Como acontece com outros movimentos artísticos, inclusive com o esporte, a indústria cresce até determinado ponto, em que a própria qualidade artística ou esportiva passa a um segundo plano. Outro dos importantes objetivos da ação da WEMDay é destacar o enfoque cultural, com a insistência na divulgação das suas raízes, origens, personagens e instituições relevantes. Desta forma o público poderá ter uma melhor posição para avaliar o trabalho dos artistas e a qualidade dos eventos. Existem muitos nomes de referencia com a ascensão da EDM, os “Dj’s estrela” estão cobrando muita importância, nomes como David Guetta, Afrojack, Steve Aoki, Skrillex, Hardwell entre outros se apropriam de uma parte importante da cena, inclusive alguns mais antigos e legendários como Paul Van Dyck, Paul Oakenfold ou Tiësto, que tocavam dance, passaram a perder a notoriedade. Até outras cenas, como o House ou o Techno mais primitivo, com nomes clássicos e pioneiros, como Felix Da Housecat,  Danny Tenagalia, David Morales, Carl Cox, Sven Väth, Jeff Mills, Laurent Garnier ou Richie Hawtin parece que perderam a importância, mas sempre terão seu público fiel, e o bom fazer de Dj’s consagrados destes estilos, como Adam Beyer, Paco Osuna, Christian Varela, Loco Dice, Marco Carola, Seth Troxler, Jamie Jones e novos talentos que aparecem aos poucos nos melhores clubes da Ibiza, como Maceo Plex, Los Suruba, Tale of Us, Edu Imbernon ou Dixon vão garantir as vibes Techno mais clássicas e continuarão dando muito do que falar e, claro, dançar.

 

O trabalho da WEMDay teve início na Espanha e agora chega ao Brasil, certo? Comente sobre o atual momento da cena eletrônica brasileira e quais as perspectivas da ONG em solo tupiniquim?

O trabalho teve início na Espanha, Alemanha e outros países europeus simultaneamente, onde a cena e muito ativa, mas a cena eletrônica no Brasil sempre teve sua representatividade internacional, e sempre tivemos isso muito presente. Antigamente o trance era provavelmente o estilo que parecia dominar o panorama brasileiro, com alguns festivais, como o Universo Paralello, que assisti várias vezes e aonde cheguei a tocar e que são muito grandes e assistidos, mas lugares como São Paulo, Belo Horizonte, Curitiba, Brasília ou a mencionada cidade de Florianópolis possuem uma cena muito desenvolvida em muitos outros estilos, uma tendência que parece crescer. O Brasil passou a ser uma referência cultural e também para a música eletrônica, acho que será o maior representante deste gênero nos próximos anos, caso já não seja na América Latina. Com relação à questão social e projetos da WEMDay, o Brasil tem muitos espaços naturais de incrível biodiversidade para serem protegidos, e infelizmente grandes desigualdades social, onde nosso projeto pode ter um papel importante, dando uma maior visibilidade à problemática social, aportando fundos próprios, e também atraindo fundos das Nações Unidas pra projetos desta índole.

 

Hoje um dos principais canais de divulgação da ONG é a fanpage no Facebook, certo? Fale sobre os seguidores e o trabalho de marketing digital que está sendo realizado

Temos seguidores em muitos países. Pessoas que amam a música eletrônica, mas também pessoas que amam nosso planeta. A intenção deste canal é criar uma grande comunidade de amantes da eletrônica que queiram contribuir com o planeta. A comunidade será uma poderosa ferramenta para fazer divulgação de conteúdos que ajudem a conscientizar os participantes e as redes sociais em geral, e também de informação relativa aos projetos nos quais participemos e de notícias relativas ao setor e nossos colaboradores.

 

Quais os projetos futuros e ações da WEMDay?

Hoje em dia nossa meta prioritária é o crescimento de nossa comunidade. Para tanto queremos participar do maior número de eventos possíveis e estabelecer também o maior número de parcerias possíveis. Para o futuro com a solidez de nossa comunidade produziremos eventos próprios ou em parceria com outras instituições ou atores do setor, onde impulsionaremos a arrecadação de fundos. O maior destes eventos consistirá em um Dia Mundial da Música Eletrônica, a ser celebrada a cada 21 de abril, data em que queremos unir Festivais, Dj’s, Clubes e Fãs do Mundo inteiro e faze-los participar nestas causas solidarias e ambientais.. Em 2014 tivemos os 100 anos da criação da música eletrônica pelo músico experimental Luigi Russolo

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